Nas
suas últimas semanas na Flórida, o goleiro Roberto Luongo foi
caracterizado como mais um atleta ganancioso, que tentava tirar
dos Panthers cada centavo disponível. Ele ignorou uma oferta de
contrato de cinco anos, a US$ 30 milhões. Recusou várias ofertas
por três ou quatro anos. No final das contas, Luongo, de 27 anos,
diz que aceitou uma última oferta, de pegar ou largar, na véspera
do recrutamento, em junho, e logo depois descobriu que o então
gerente geral do time, Mike Keenan, o tinha trocado para o Vancouver
em uma negociação que mandou Todd Bertuzzi para Miami.
Tudo isso serviu para provar a Luongo que ele estava certo em
“não confiar neles, não confiar em Mike”.
Na semana passada, ele revelou que sua decisão de bancar o difícil
durante as negociações de renovação de contrato derivava dos meses
de desconfiança entre ele e a diretoria dos Panthers, em particular
Keenan. E essa desconfiança só vinha crescendo.
Todo o problema começou quando o técnico Jacques Martin demitiu
o treinador de goleiros Clint Malarchuk. O jornalista Michael
Russo, do jornal Miami Herald, ligou para Luongo, que estava em
lua de mel, a fim de entrevistá-lo para saber o que ele achava
da decisão. Na verdade, Luongo ficou sabendo da demissão de Malarchuk
por meio de Russo.
“Eu não esperava aquilo”, confessa hoje o goleiro. “Eles tinham
me dito que demitiram Clint para trazer o meu treinador Francois
Allaire, e depois Jacques acabou trazendo um dele [Phil Myre].”
O que mais irritou Luongo foi um incidente no avião dos Panthers,
em janeiro. Ele não conta a história; apenas confirma-a. Keenan,
que não foi encontrado por Russo para comentar o assunto, estaria
decepcionado com a rejeição do goleiro ao já citado contrato de
US$ 30 milhões. Durante um vôo, Keenan decidiu usar o banheiro
do fundo da aeronave, onde os jogadores se sentam, ao invés do
da frente. Com os jogadores dormindo ou ouvindo música, Keenan
discutiu acirradamente com Luongo sobre as negociações de contrato,
com direito a voz alta e palavrões. Luongo ficou ofendido com
o questionamento na frente de seus colegas.
“Esse é Mike”, avalia Luongo. “Eu sei como ele é. Nada que ele
faz me surpreende, por isso aquilo não foi nenhuma surpresa. Foi
só mais um prego no caixão.” E não o único: “O pior, para mim,
foi a arbitragem. Aquilo foi o que doeu mais.”
Apesar de ter concorrido ao Troféu Vezina e ter quebrado os recordes
de defesas e chutes encarados em 2003-04, quando tinha o 29.°
salário da liga entre os goleiros, Luongo se tornou o primeiro
jogador na história da NHL a ser levado à arbitragem por seu time
(o normal é o jogador se decidir pela arbitragem), em agosto do
ano passado.
Luongo assinou então por um ano, e os Panthers passaram a tentar
negociar uma extensão. Mas o goleiro não queria mais trabalhar
com Keenan. Aparentemente, nem os Panthers. Luongo diz que praticamente
todos na organização, do dono, Alan Cohen, ao chefe de operações,
Michael Yormark, e até o técnico Jacques Martin, negociavam a
renovação com ele e seu empresário. “Quatro ou cinco pessoas diferentes”,
lembra Luongo.
Na véspera do recrutamento, Martin chamou-o para contar que Keenan
tinha uma troca engatilhada. Luongo tinha uma última chance de
aceitar um contrato de quatro anos. Ele respondeu, dizendo que
aceitava o novo contrato, desde que pudesse escolher seu treinador
de goleiros, que o goleiro reserva Jamie McLennan também tivesse
seu contrato renovado e que os Panthers declarassem publicamente
que não trocariam Luongo no primeiro ano do novo contrato. Exigências
flexíveis, de acordo com Luongo.
“Jacques não retornou meu telefonema”, conta o goleiro. “Mike
me ligou e disse que eu tinha sido trocado. Não falei nada. Só
disse: ‘Tudo bem, obrigado.’ Foi meio louco.”
Keenan já não é mais GG dos Panthers, mas foi uma despedida triste
para Luongo, que era o rosto do time. Agora em Vancouver, ele
começa a lutar para se tornar o rosto dos Canucks, que não têm
um goleiro que conte com a confiança da torcida desde Kirk MacLean.
Alexandre Giesbrecht, 30 anos, ainda quer ver um dia como a TheSlot.com.br ficaria impressa.