15 de maio de 2002
Constantino: A Grind Line está de volta

Por Marcelo Constantino

Em 1997, um dos passos menos comentados do Detroit Red Wings rumo à conquista da Stanley Cup foi a contratação do ala direito Joe Kocur, então sem clube. Em relação à equipe da memorável temporada (e de decepcionantes playoffs) de 1995-96, o time já era fisicamente mais forte. Com Kocur, torcedor assumido do Detroit, os Wings adquiriam um intimidador veterano e típico.

Kocur formou a famosa Grind Line, atuando pela direita de Kris Draper e Kirk Maltby. O auge do trio foi na partida inicial da final da Stanley Cup de 1997, contra o Philadelfia Flyers. Maltby abriu o placar em desvantagem numérica e Kocur fez o segundo, marcando o gol mais bonito de sua vida.

Joey roubou o disco na zona central, avançou direto para o gol e marcou num lindo movimento que tirou o goleiro Ron Hextall da jogada, jogada característica de atacantes habilidosos. "Eu sempre tentava essa jogada nos treinos, mas o disco sempre acabava longe. No jogo, foi parar no gol", disse ele após a partida.

Na temporada seguinte, novamente a Grind Line estava lá reunida e vencendo mais uma Stanley Cup. Entretanto, durante boa parte dos playoffs Kocur esteve atuando ao lado de Doug Brown e Tomas Holmstrom, com Darren McCarty em seu lugar ao lado de Draper e Maltby. Do ano seguinte em diante, McCarty assumiu definitivamente o posto.

Pois bem, a Grind Line está de volta nestes playoffs. Desfeita desde o início da temporada -- quando McCarty estava machucado e o técnico Scotty Bowman colocou Draper na linha de Fedorov e Shanahan; e Maltby em várias outras --, ela foi reunida na série contra o Vancouver Canucks, precisamente quando os Wings perdiam-na por 2-0.

E voltou com força total. "Só queremos ser uma linha dura de se enfrentar", diz Draper. "Se fizermos isso e ainda conseguirmos alguns golzinhos, vamos ajudar o time".

Muita humildade deste central, que ficou mais famoso na NHL por ter seu maxilar dilacerado após um tranco por trás de Claude Lemieux, então no Colorado Avalanche, nos playoffs 1996. E, conseqüentemente, por ter sido um dos personagens principais do estopim de uma das maiores rivalidades da história da NHL, entre Red Wings e Avalanche.

Querido em Detroit por sua velocidade e por seu eficiente jogo defensivo, Draper marcou 15 gols nesta temporada -- seu recorde -- atuando pela primeira vez numa linha de ataque durante a maior parte do tempo. Foi o único do trio a fazer uma boa temporada.

Maltby é reconhecidamente um dos mais irritantes jogadores da NHL, um Mike Ricci de Detroit. E McCarty, ídolo da cidade, é o jogador que mais se aproxima de um intimidador no time. É o "protetor" da linha.

Seria naturalmente chamada de "quarta linha" ou "linha de choque", se não fosse o tempo de jogo do trio, por vezes superior a 14 minutos. Atuam contra qualquer linha adversária e têm sido bastante usados quando o face-off é na zona defensiva. "Confiamos muito uns nos outros", diz Draper. "Sabemos que, quando um de nós subir, haverá sempre alguém na retaguarda". Com mais de 300 jogos de playoffs entre eles, a maior parte atuando juntos, a linha tem mesmo de jogar em sintonia fina.

Todo time precisa e tem ao menos uma linha de choque e/ou uma linha para apenas fazer o disco rolar enquanto os jogadores principais descansam. Com um time cheio de futuros jogadores do Salão da Fama como o Detroit Red Wings desta temporada, era de se esperar um tempo de jogo mínimo para linhas assim.

Não é. A linha de Maltby-Draper-McCarty é a mais sólida da história recente do Detroit Red Wings.

Marcelo Constantino guarda ótimas lembranças de quando assistiu ao vivo o jogo 1 entre Red Wings e Flyers na final de 1997, a partida mais brilhante da Grind Line.
ENTROSAMENTO Draper e Kocur, acompanhados de Fedorov (sentado) e Brown (17), nas finais de 1997 (Arquivo The Slot BR - 1997)
 
ALEGRIA Draper e McCarty, grandes amigos fora do gelo e grandes parceiros dentro dele (Arquivo The Slot BR - 1997)
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Página publicada em 13 de maio de 2002.