JOGO 7
Carolina 3-1 Edmonton

DE MÃO EM MÃO Depois de Brind'Amour levantar a taça, foi a vez de Glen Wesley. E por aí foi. A lista quase completa está no último parágrafo desta matéria (Ryan Matthes/Getty Images - 19/06/2006)
por E.J. Hradek

Os Hurricanes precisavam de um bom início de jogo e conseguiram. O defensor Aaron Ward abriu o placar para o Carolina a 1:26 do primeiro período. O lance do gol na verdade começou na zona neutra, quando o defensor Steve Staios, dos Oilers, perdeu o disco na linha cen-tral. No contra-ataque, Matt Cullen perdeu uma grande chance, defendida pelo goleiro Jussi Markkanen. Os Oilers não conseguiram tirar o disco de sua zona, e o veterano ponta Mark Recchi conseguiu achar Ward livre no ponto direito. O forte defensor foi em direção ao disco e mandou uma bom-ba, que passou por vários jogadores e por Markkanen, no lado do taco.

Agora que Cam Ward ganhou o Troféu Conn Smythe, acho que podemos parar de chamá-lo de novato. O garoto fez por merecer essa honra depois de sua brilhante atuação no gol dos Canes. Várias vezes durante estes playoffs, ele apareceu com defesas importantes. E no jogo 7 não foi diferente. Na primeira vantagem numérica dos Oilers, ele fez duas belas defesas para manter seu time à frente no placar. Primeiro, ele impediu que a bomba de Chris Pronger da linha azul chegasse ao gol. Depois, Ward parou o perigoso Fernando Pisani num rebote. A apenas 3:40 do fim do terceiro período, ele fez uma defesa que praticamente garantiu a Copa, em mais um rebote de Pisani. Desta vez, ele esticou totalmente sua perna esquerda, a fim de colocar seu protetor na frente do disco, em uma chance de ouro. Não há como negar: Ward mereceu o título de MVP nos playoffs.

No sétimo aniversário do "gol de Brett Hull" (a torcida do Sabres sabe de qual estou falando), tivemos mais uma controvérsia. Este incidente se deu a apenas 4,1 segundos do fim do primeiro período. Enquanto o juiz Bill McCreary assinalava uma penalidade atrasada contra o atacante dos Oilers Ethan Moreau, Craig Adams, quarto linhista dos Hurricanes, chutou contra Markkanen. O disco subiu e pareceu ir em direção ao gol dos Oilers. Naquele momento, Staios veio deslizando por trás de Markkanen, em uma tentaviva frenética de parar o disco. Justin Williams, do Carolina, que estava patinando no entre-círculos em direção ao gol, levantou os braços para sinalizar o gol. A platéia rugiu, mas nenhum dos árbitros confirmou o gol.

Depois de uma revisão dos replays que durou cerca de dez minutos e uma consulta com os capitães e técnicos, os árbitros decidiram que não havia sido gol. Também houve polêmica sobre se Staios tinha coberto ou não o disco dentro da área. Nesse caso, os Hurricanes teriam direito a um pênalti. De novo, os árbitros decidiram contra os Canes. Nada de gol. Nada de pênalti. Durante o intervalo, a [rede de televisão] NBC conseguiu um ângulo ampliado da jogada que revelou o disco debaixo de Staios e atrás da linha do gol. Infelizmente, os oficiais da NHL na cabine de replay não conseguiram ver esse ângulo. No fim das contas, a decisão não teve im-portância, já que os Canes ganharam o jogo.

Cullen pareceu estar em todos os lugares durante os dois primeiros períodos. Ele deu a assistência no primeiro gol e quase fez 2-0 em uma boa chance do entre-círculos no final do primeiro período. No segundo, Cullen deu um brilhante passe por entre suas pernas para Ray Whitney. Whitney deu um chute bom e rápido, mas Markkanen impediu o gol com uma fabulosa defesa com o dedinho do pé esquerdo. Mais adiante no segundo período, Cullen assistiu no segundo gol dos Canes. Em vantagem numérica, ele fez uma boa jogada para manter o disco no ponto direito. Ele rapidamente mandou o disco junto às bordas para Cory Stillman, que, por sua vez, achou o defensor Frantisek Kaberle sozinho no ponto esquerdo. Kaberle patinou em direção ao disco e chutou do topo do círculo esquerdo. Sua bomba ricocheteou em Jason Smith, que estava deslizando, e passou por Markkanen.

Pronger teve mais uma atuação estelar. Ele deu quatro chutes a gol, dois trancos e bloqueou três chutes em seus 26:16 no gelo. Nesse tipo de situação, dá para se perguntar por que ele não jogou mais tempo. Eu teria mantido-o no gelo por 35, 40 minutos. Ele é um dos poucos que poderiam agüentar. Na derrota, ele demonstrou sua classe ao liderar a fila de seu time para os cumprimentos. Em particular, ele parou para cumprimentar Eric Staal, que, como ele, jogou no Peterborough Pete, e o goleiro Ward. Pronger foi um monstro durante os playoffs. Depois de ter suas atuações comprometidas por contusão nas últimas temporadas, ele se restabeleceu como o principal zagueiro da liga.

Tenho de reconhecer que adorei a pequena mudança na escalação feita por Peter Laviolette. Ele inseriu Chad LaRose no lugar de Josef Vasicek. Acho que ele precisava da injeção de energia que um cara como LaRose pode dar. E também Vasicek não estava conseguindo fazer muita coisa. A mudança permitiu a Laviolette reunir sua quarta linha, com LaRose, Kevyn Adams e Craig Adams. O trio teve cerca de dez minutos de gelo, mas jogou importantes minutos. Foi uma mudança pequena, mas ajudou muito a me-lhorar os Canes. Contra os Oilers, eles claramente precisavam de qualquer empurrãozinho que pudessem conseguir.

Finalmente, os Canes passaram a Copa de mão em mão na seguinte ordem: o capitão Rod Brind'Amour, Glen Wesley, Bret Hedican, Whitney, Kevyn Adams, Doug Weight (se esforçando para segurá-la no alto com apenas um braço bom), Stillman, Recchi, Aaron Ward, Cullen, Craig Adams, Williams, Staal, Niclas Wallin, Kaberle, Vasicek, Cam Ward, Mike Commodore, LaRose, Andrew Ladd, Martin Gerber, Oleg Tverdovsky e Erik Cole. Depois disso, eu estava ocupado demais para continuar assistindo. Mas pode ficar tranqüilo, que Laviolette e o gerente geral Jim Rutherford tiveram seus momentos com a Copa.



E.J. Hradek é jornalista da revista ESPN The Magazine. O artigo (com acesso restrito a assinantes) foi traduzido por Alexandre Giesbrecht.
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Página publicada em 22 de junho de 2006.