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27 de novembro de 2002
Quando a costa leste não é a costa leste

Por Alexandre Giesbrecht

Foi reportado recentemente que a East Coast Hockey League (ECHL, ou Liga de Hóquei da Costa Leste) pretende se expandir, chegando a 40 membros — sim, quarenta — na próxima temporada. Esse assunto traz à tona uma série de perguntas. À primeira vista, parece uma atitude razoável, já que a ECHL vai absorver sete franquias da West Coast Hockey League (WCHL, ou Liga de Hóquei da Costa Oeste), além de dois novos clubes da mesma liga.

Some isso aos 27 clubes existentes na ECHL nesta temporada, mais times de expansão em Beaumont (Texas) e Gwinett County (Geórgia) para 2003-04, e duas franquias dormentes, e você tem uma liga com 40 membros cobrindo quase todos os Estados Unidos.

Virão da WCHL Anchorage Aces, Bakersfield Condors, Fresno Falcons, Idaho Steelheads, Las Vegas Wranglers, Long Beach Ice Dogs e San Diego Gulls, para 2003-04. Novas franquias em Ontário (Califórnia) e Reno (Nevada) devem começar a operar em 2004-05.

"A ECHL orgulhosamente dá as boas vindas aos novos membro da liga", diz Richard Adams, presidente e CEO da ECHL. "Os membros têm bases sólidas e jogam em excelentes mercados, com bons números de apoio de torcida. Esta expansão dá à ECHL uma presença nacional, fortalecendo a posição da ECHL como a maior liga de desenvolvimento do hóquei profissional".

Imagino o que a American Hockey League, a principal liga de desenvolvimento para a NHL, pensa sobre esta última afirmação. Esqueça por um instante a ótica peculiar de uma liga que se auto-denomina da costa Leste tendo times na costa oeste (a ECHL não pensa em mudar de nome). A maior preocupação é que não é difícil prever um conflito, daqui a dois ou três anos, entre a AHL e a ECHL.

Depois de se expandir para um número de times maior que o da AHL, será que a ECHL vai continuar aceitando de bom grado o papel de liga de desenvolvimento secundário? Ou será que ela irá tentar desafiar o status da AHL, criando um cenário similar ao que tínhamos antes, com a rivalidade entre a AHL e a IHL, a finada International Hockey League?

Se você tem alguma dúvida se tal igualidade vai ser boa para o hóquei profissional em longo prazo, basta ver que Doug Moss, o último presidente (1998-2001) da IHL em pessoa, e que hoje é Vice-Presidente de Negócios do Anaheim Mighty Ducks, condena esse cenário: "No início dos anos 90, a coisa saiu dos trilhos. (A liga) tentou ser algo que não era. Tentou praticamente ser uma outra NHL, e ela nunca iria ser outra NHL".

O lado positivo desta história é que, ao contrário da IHL, a ECHL não parece ter planos de virar as costas para a NHL. Moss acredita que não dá para se ter duas ligas de desenvolvimento no nível atual da AHL, que acabou absorvendo alguns dos times da IHL quando do fim desta.

Se a ECHL e, principalmente, os donos de times ligados a ela souberem aceitar o papel que têm hoje, o cenário pode até vir a ser o ideal. Mas é difícil imaginar isso. Se a NHL já tem críticos de seu tamanho, com 30 times, imagine duas ligas de desenvolvimento que, juntas, somam 68 times...

Alexandre Giesbrecht, publicitário, participa de outra revista semanal, a Futebol Expresso, que, ao contrário (infelizmente) da Slot BR, é impressa.
 
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Página publicada em 25 de novembro de 2002.